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Imobiliário e construção impedem crise maior em Portugal

22 jun 2020
Imobiliário e construção impedem crise maior em Portugal
Análise do Banco de Portugal mostra que impacto da pandemia na economia nacional seria muito maior, sem o contributo destes setores, a par do investimento público.

A economia portuguesa está a sentir os efeitos do contágio da Covid-19, antecipando-se para este ano a crise mais violenta em quase 100 anos de história, sobretudo devido à quebra de 60% no turismo. O Banco de Portugal (BdP) projeta uma recessão de 9,5% em 2020, estimando que o país demore, pelo menos, dois anos e meio, até se recuperar totalmente. Mas o estado de saúde da economia nacional poderia ser, atualmente, bem mais grave. A ajudar a resistir estão os setores do imobiliário, construção e investimento público, que têm dado sinais de serem as áreas que melhor têm estado a sobreviver ao impacto da pandemia.
 

O novo investimento (formação bruta de capital fixo ou FBCF) deverá cair cerca de 11% este ano, registando-se assim o pior desempenho desde a crise de 2012, quando Portugal estava sob o resgate da troika. No entanto, “o impacto da pandemia e do estado de emergência”, segundo o banco central, “parece ter sido menor em alguns setores”, nomeadamente no segmento “construção e atividades imobiliárias, onde a atividade permaneceu em cerca de 75% dos níveis normais” no período que vai de março até agora, tal como se pode ler no último boletim económico do BdP, publicado esta semana.
 

No que respeita ao imobiliário, precisa o supervisor, "o impacto negativo sobre a FBCF residencial” (compra de imóveis de habitação) deverá ser “relativamente limitado, num contexto de manutenção de condições de financiamento favoráveis e de alguma atratividade deste tipo de ativo como aplicação de poupança e na procura por não residentes”, dando nota de que o grande impulso continua assim a ser dado, sobretudo, pelos investidores estrangeiros.
 

Em paralelo, o setor da construção é outro dos que se destaca "por ter mantido algum dinamismo" no atual contexto de crise, tendo sido dos "menos afetado pelos efeitos da pandemia” e "pelas medidas de contingência em vigor neste período, tal como evidenciado também pela evolução da confiança” e pelos inquéritos conduzidos semanalmente pelo Banco de Portugal e Instituto Nacional de Estatística (INE)". E prova disto mesmo é que também “as vendas de cimento aumentaram cerca de 7% em março e mais de 10% em abril, sugerindo que as obras em curso terão prosseguido”.
 

A contribuir para que o colapso económico em Portugal não seja ainda mais crítico, está o investimento público, que deverá ter “um crescimento superior ao do PIB ao longo de todo o horizonte de projeção”, até 2022. “O investimento público deverá apresentar um crescimento dinâmico, beneficiando do aumento dos fundos europeus, associado ao fim do atual período de programação, em particular em 2020-21. Assim, o investimento total “deverá recuperar mais rapidamente do que em ciclos anteriores, após uma queda significativa em 2020, embora seja esperado que, em 2022, permaneça aquém dos níveis registados em 2019”, indica o organismo liderado por Carlos Costa - em final de mandato.
 

Ainda assim, e apesar da performance mais positiva destas três áreas, o Banco de Portugal é agora mais pessimista do que quando o país entrou em estado de emergência. Em março, o  previa que, num cenário base menos adverso, a economia sofresse uma contração de 3,7% e que, no pior dos cenários, a depressão fosse até aos 5,7%. A quebra de 9,5% é agora o cenário base.
 

Os grandes riscos para a economia portuguesa


Num cenário mais adverso, ou seja, no caso de haver uma “segunda vaga” de contágios de Covid-19, que obrigue a que sejam novamente adotadas medidas de confinamento, a economia poderá afundar 13%, ou mais. A grande vítima desta crise e que impacta diretamente na economia portuguesa - depois de anos a ser um motor propolsor de crescimento - é o turismo. “Dado o peso relativamente elevado" da atividade turística "nas exportações totais por comparação com outros países, Portugal encontra-se particularmente exposto, projetando-se uma queda desta componente das exportações de mais de 60% em 2020”, avisa o banco central.
 

A recuperação, antevê, "deverá ser muito gradual, num contexto de elevada incerteza e de potenciais alterações nas preferências e nos comportamentos dos consumidores destes serviços e tendo também em conta a elevada elasticidade rendimento da despesa em turismo”.
 

Por outro lado, o Banco de Portugal felicita o trabalho do Governo no combate a esta crise, de forma a tentar minimizar os impactos económicos, sobretudo, as medidas “que visam preservar o emprego”, com destaque para o lay-off simplificado. Este instrumento implica a redução de salários em cerca de um terço e de tempo de trabalho.
 

“O impacto da crise sobre o mercado de trabalho tenderá a ser atenuado ou desfasado pela existência de políticas que visam preservar o emprego e a liquidez das empresas”, declara o BdP. Há três meses (no cenário de base desenhado pelo banco central e com uma recessão prevista de 3,7%), a taxa de desemprego calculada para este ano era de 10,1% da população ativa. Atualmente, e com a economia a cair mais do dobro, a taxa de desemprego mantêm-se nos 10,1%.


Fonte: Idealista, 17 junho 2020, 16:06

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